16 novembro, 2007

16 agosto, 2007

amélie


31 julho, 2007

para mantê-los informados II

antonioni também

30 julho, 2007

para mantê-los informados

bergman morreu

23 julho, 2007

para me distrair do tempo

que falta até algum dia de setembro de 2008, vou praticando minhas boas maneiras britânicas: agora só atravesso na faixa de segurança, com o sinal fechado

09 julho, 2007

devo admitir que

meu amor
cartas e portuguesas
era uma vez
algodão doce


a dor de cotovelo já me deu pequenas boas coisas

05 julho, 2007

london, london


the queen is waiting for me...

29 junho, 2007

comida

- seu prato é sempre tão bonito...




(o modo de dispor a comida no prato é uma técnica de sedução que exercito desde a infância)

24 junho, 2007

you're asking me will my love grow

i don't know i don't know

23 junho, 2007

do fragmento 389 do livro do desassossego

Condillac começa o seu livro celebre, “Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca sahimos das nossas sensações”. Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. (...) Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo.

o navio de espelhos

08 junho, 2007

message in a bottle II

e não adiantava, seu modo de ser seria sempre um suspiro

03 junho, 2007

filó


02 junho, 2007

message in a bottle

quando era pequena e morava na praia, adorava juntar garrafinhas vazias de extrato de guaraná pra jogar ao mar. mas como não tinha nada a dizer, e já era suficientemente inteligente para cogitar que o receptor provavelmente não falaria a sua língua, não escrevia bilhetes, desenhava mapas tortos tentando mostrar onde estava, à espera de que acontecesse como nos filmes e livros. deve ser por isso que ficou a ver navios.

20 maio, 2007

porque a vida é assim II

seu amor morre e você não pode fazer nada

seqüência


Não abriram ainda as lojas, salvas as leitarias e os cafés, mas o repouso não é de torpor, como o de domingo; é de repouso apenas. Um vestigio louro antecede-se no ar que se revela, e o azul córa pallidamente atravez da bruma que se esfina. O começo do movimento rareia pelas ruas, destaca-se a separação dos peões, e nas poucas janellas abertas, altas, madrugam tambem apparecimentos. Os electricos traçam a meio-ar o seu vinco mobil amarello e numerado. E, de minuto a minuto, sensivelmente, as ruas desdesertam-se.

(do fragmento 87 do Livro do desassossego)

Louvor e simplificação de Álvaro de Campos (excerto)
Mário Cesariny
Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua. (...)