09 julho, 2007

devo admitir que

meu amor
cartas e portuguesas
era uma vez
algodão doce


a dor de cotovelo já me deu pequenas boas coisas

05 julho, 2007

london, london


the queen is waiting for me...

29 junho, 2007

comida

- seu prato é sempre tão bonito...




(o modo de dispor a comida no prato é uma técnica de sedução que exercito desde a infância)

24 junho, 2007

you're asking me will my love grow

i don't know i don't know

23 junho, 2007

do fragmento 389 do livro do desassossego

Condillac começa o seu livro celebre, “Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca sahimos das nossas sensações”. Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. (...) Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo.

o navio de espelhos

08 junho, 2007

message in a bottle II

e não adiantava, seu modo de ser seria sempre um suspiro

03 junho, 2007

filó


02 junho, 2007

message in a bottle

quando era pequena e morava na praia, adorava juntar garrafinhas vazias de extrato de guaraná pra jogar ao mar. mas como não tinha nada a dizer, e já era suficientemente inteligente para cogitar que o receptor provavelmente não falaria a sua língua, não escrevia bilhetes, desenhava mapas tortos tentando mostrar onde estava, à espera de que acontecesse como nos filmes e livros. deve ser por isso que ficou a ver navios.

20 maio, 2007

porque a vida é assim II

seu amor morre e você não pode fazer nada

seqüência


Não abriram ainda as lojas, salvas as leitarias e os cafés, mas o repouso não é de torpor, como o de domingo; é de repouso apenas. Um vestigio louro antecede-se no ar que se revela, e o azul córa pallidamente atravez da bruma que se esfina. O começo do movimento rareia pelas ruas, destaca-se a separação dos peões, e nas poucas janellas abertas, altas, madrugam tambem apparecimentos. Os electricos traçam a meio-ar o seu vinco mobil amarello e numerado. E, de minuto a minuto, sensivelmente, as ruas desdesertam-se.

(do fragmento 87 do Livro do desassossego)

Louvor e simplificação de Álvaro de Campos (excerto)
Mário Cesariny
Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua. (...)

25 março, 2007

again and again

porque há mto tempo um poema não me encantava desta forma à primeira vista:

http://www.triplov.com/poesia/jorge_de_sena/cathedrale_engloutie/index.htm

28 janeiro, 2007

é tudo verdade

Cariocas


Adriana Calcanhotto
cariocas são bonitos
cariocas são bacanas
cariocas são sacanas
cariocas são dourados
cariocas são modernos
cariocas são espertos
cariocas são diretos
cariocas não gostam de dias nublados
cariocas nascem bambas
cariocas nascem craques
cariocas têm sotaque
cariocas são alegres
cariocas são atentos
cariocas são tão sexys
cariocas são tão claros
cariocas não gostam de sinal fechado...

15 janeiro, 2007

porque a vida é assim

seu passarinho morre e você não pode fazer nada

17 dezembro, 2006

Campeão do Mundo

e isso então?

17 agosto, 2006

Campeão da América




















e eu que nunca pensei que fosse viver pra ver esse dia...

01 junho, 2006

há no fundo do rio

imóvel



um círculo de pedra



tuas mãos estão à margem



cansadas
dos círculos concêntricos
fugazes
dos seixos que atiras sem parar