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for a new long winter journey
sim, atira-me pedras,
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15:53
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você dizia pára, eu me sinto apedrejada, mas as bolinhas de papel eram só meus dedos.
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- como criticar paulo coelho sem discutir gosto?
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13:31
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e por falar em dito popular, lembrei outro deste naipe: religião, política e futebol não se discutem. e me vieram as (fa)tais perguntas:
- futebol é gosto, mas será que gosto é religião?
- política é gosto ou gosto é política?
- charge de maomé é mau gosto ou é política?
- maomé pode ser discutido? e a santa, pode ser chutada?
- e funk, pode ser execrado sem ser discutido?
- e discutir é sinônimo de julgar? e discordar, será?
- expor um gosto ou uma opinião já é discussão?
- discordar de um gosto é discussão?
- e o gosto de discutir, é discutível?
- e a discussão, é saudável?
- e a supressão da discussão, quando é saudável?
- entre judeus e muçulmanos há discussão?
- e a provocação, é discussão?
- e o rock and roll, é provocação? ou virou religião?
mas ainda bem que dito popular a gente pode discutir.
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23:55
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11:43
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Hoje fui ao dentista.
Quando era criança, não tinha medo de altura, de avião, de me cortar lavando o liquidificador, de pular bem do alto, de escorregar no corrimão, de tomar choque, de raio, relâmpago, trovão e muito menos de dentista. Hoje tudo me assusta, dá vertigem, aflição ou gastura.
Acho que é porque sou muito resistente à anestesia.
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15:21
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kafkar é o contrário de lair, ribeiro.
uma singela nossa homenagem à mestra.
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por pura cor vadia
muito de leve eu podia te tocar.
mas não.
purpúrea covardia.
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11:46
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The author of the Jesus papers speaks
In my dream
I milked a cow,
the terrible udder
like a great rubber lily
sweated in my fingers
and as I yanked,
waiting for the moon juice,
waiting for the white mother,
blood spurted from it
and covered me with shame.
Then God spoke to me and said:
People say only good things about Christmas.
If they want to say something bad
they whisper.
So I went to the well and drew a baby
out of the hollow water.
Then God spoke to me and said:
Here. Take this gingerbread lady
and put her in your oven.
When the cow gives blood
and the Christ is born
we must all eat sacrifices.
We must all eat beautiful women.
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11:58
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Fado tropical
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21:02
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rude a pa- lavra- dura urdidura escalavra e caladura |
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20:59
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porque este foi um ano de dois invernos e duas primaveras
porque a fome sempre chega
porque o céu pode ser azul mesmo quando neva
porque os invernos se revezam
porque não neva lá fora
porque voltarei a comer pétalas de flor
porque desmancharei laços de fita
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17:15
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cenouras*
(frederyko)
eu hoje tenho um assundo delicado pra falar com você
eu muito tenho meditado sobre a vida que você esqueceu
você está com a cabeça virada para o nada
e não procura nem saber o que eu penso e o que faço
eu acredito que você ainda tenha uma pequena chance
e eu encontrei a solução pro seu caso
e lhe proponho um tratamento pra você melhorar
eu vou plantar cenouras na sua cabeça
*post com agradecimentos especias à moça do laço de fita, que encontrou-me a música
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23:10
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For America is a land of Commies and Prohibitionists but Anne does not see it. Anne is locked in. The Trotskyites don’t see her. The Republicans have never tweaked her chin for she is not there. Anne hides inside folding and unfolding rose after rose. She has no one. She has Christopher. They sit in their room pinching the dolls’ noses, poking the doll’s eyes. One time they gave a doll a ride in a fuzzy slipper but that was too far, too far wasn’t it. Anne did not dare. She put the slipper with the doll inside it as in a car right into the closet and pushed the door shut.
For America is the headlight man at the Ford plant in Detroit, Michigan, he of the wires, he of the white globe, all day, all day, all year all his year’s headlights, seventy a day, improved by automation but Anne does not.
For America is a miner in Ohio, slipping into the dark hole and bringing forth cat’s eyes each night.
For America is only this room… there is no useful activity.
For America only your dolls are cheerful.
Anne Sexton
Porque a América é uma terra de comunas e proibicionistas, mas Anne não vê isso. Anne está trancada. Os trotskistas não a vêem. Os republicanos nunca torceram o queixo dela, pois ela não está lá. Anne se esconde do lado de dentro a dobrar e desdobrar rosa após rosa. Ela não tem ninguém. Ela tem Christopher. Eles se sentam na sala, beliscando o nariz das bonecas, furando os olhos delas. Uma vez eles deram carona pra uma boneca numa pantufa de pelúcia, mas aquilo estava muito distante, muito longe não foi. Anne não arriscou. Ela pôs a pantufa com a boneca dentro como num carro direto pro armário e trancou a porta.
Porque a América é o homem-farol na fábrica da Ford em Detroit, Michigan, ele dos fios, ele do globo branco, o dia inteiro, o dia inteiro, o ano inteiro todos os faróis do seu ano inteiro, setenta por dia, aperfeiçoado pela automação mas Anne não.
Porque a América é um mineiro em Ohio, deslizando para um buraco escuro e trazendo à tona olhos-de-gato a cada noite.
Porque a América é apenas este quarto... nenhum afazer é útil.
Para a América apenas suas bonecas são alegres.
trad. chamilly
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22:30
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